quinta-feira, 2 de setembro de 2010








 











Irei leiloar meu coração!

Quem me dará o primeiro lance?
Mas a compra dele, dinheiro não paga...
Ofereces-me outros meios de pagamento, me dêem ofertas!

E como garantia, um grita:
- Lhe darei todo meu carinho...
- Por ele tenho grande apreço –disse em disparada

Em seguida, outro grita:
- Lhe darei prazer diário!

Ouvir isso foi minha queda, meu corpo é só prazer...

Mas antes que desse como escolhido, antes mesmo da língua movimentar-se dentro da boca para formular duas pequenas palavras: “és tu!”
Ouço lá no fundo alguém que se esgoela, que me clama atenção. Fazendo sinais com os braços no intuito de que eu o visse, pois de fato deveria saber que minha mente vagava com a proposta anterior... retorno em mim, e o escuto.

- Lhe oferto o que tu mais deseja... é só pedir!
- Com meu coração à venda, ainda resta sentimentos caro estranho?

O estranho não sabia que o quisera era me livrar das dores diárias graças à esse coração bandido. Palpitar esse, que acelerava toda vez que “Ele” passava em minha frente e não me notava... apenas esnobava. Como alguém pode recusar amor puro e nobre?
Mas assim Ele o fez. Deixou-me lá no abandono mais profundo: na certeza de que não me amava.

- Te resgato todo o sentindo de viver. Apenas diga-me o que queres...
- Sem as batidas do meu coração, jamais poderei me entregar infinitamente à ti. Com isso, não lhe servirei de nada. Nem mesmo para salvar o que já não recordava. É isso meu caro. Tu me pedes, mas já não quero ordens. Leva esse palpitar daqui e apenas segue... Talvez irás saber usa-lo melhor do que eu mesma. Ou achar o manual de instrução, que perdi na gaveta de minha avó, mas ela morrera sem me devolver.

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